Greve dos auditores da Receita derruba arrecadação
11/09/2015
O movimento reivindicatório dos auditores fiscais da Receita Federal, iniciado em abril, já traz sérios prejuízos ao governo. Segundo o sindicato nacional da categoria, Sindifisco Nacional, na comparação entre agosto de 2014 e o mês passado, houve queda de 64,5% nas fiscalizações encerradas - caiu de 1.592 para 566.
Já no que se refere aos valores lançados por autos de infração, a diferença entre agosto de 2014 (R$ 7,6 bilhões) e de 2015 (R$ 1,4 bilhão) desceu 82%. "Esses números são o reflexo da indignação dos auditores fiscais", disse o presidente do Sindifisco Nacional, Cláudio Damasceno.
Em 2014, o acumulado do ano terminado em agosto era de 10.985 para as fiscalizações encerradas. Em 2015, está em 7.469 - queda de 32%.
Apesar da queda da arrecadação, a última proposta apresentada pelo governo à categoria prevê, até 2019, índices de reajustes anuais entre 4% e 5%, valor bem abaixo da inflação projetada para o período, que chega a 10%.
Em Santos, o movimento segue forte. Na Alfândega, 53 dos 55 auditores que ocupavam cargos de chefia entregaram seus cargos. Já na Delegacia da Receita Federal, metade dos auditores também entregou seus cargos.
Hoje, os auditores fiscais santistas se reunirão em assembleia para fazer um levantamento do movimento reivindicatório na região e traçar novas estratégias, já que a previsão é que a paralisação se estenda até o final deste ano. Mas, a unidade Santos do Sindifisco alerta que a categoria está disposta a manter a paralisação por tempo indeterminado, até que o governo atenda as reivindicações.
Entre as principais reivindicações estão a valorização da carreira, a recomposição do poder aquisitivo, a aprovação da Lei Orgânica do Fisco e a implementação da indenização de fronteira, sancionada pelo Governo em 2013, mas que não foi regulamentada.
Fonte: Jornal "A Tribuna" - 10/09/2015