OPERAÇÃO GREVISTA DE FISCAIS DA RFB AFETA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO
09/02/2018
Em São Paulo, maior atraso ocorre no
aeroporto de Guarulhos, segundo sindicato dos despachantes aduaneiros.
O
movimento grevista dos auditores fiscais e analistas tributários da Receita
Federal tem afetado parcialmente os processos de importação e exportação em
especial no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, e no porto de Santos, no
litoral paulista. "Temos alguns atrasos em Viracopos, mas em Guarulhos é
onde há maior dificuldade", disse o presidente do Sindasp (Sindicato dos
Despachantes Aduaneiros de São Paulo), Marcos Farneze. "A distribuição dos
processos aos fiscais tem atrasos de 45 dias", disse o representante da
categoria responsável por 97% da liberação de mercadorias do movimento de
importação e exportação no Brasil.
Procurada,
a concessionária do aeroporto de Guarulhos, GRU Suporte, informou que não
comentaria o assunto. O presidente do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais
da Receita Federal do Brasil (Sindifisco), Cláudio Damasceno, disse que o
movimento vai continuar. Os auditores protestam contra o governo federal, que,
segundo a categoria, não cumpriu um acordo de reajuste salarial firmado em 2016
e alterou um bônus de produtividade. Segundo ele, não há sinalização do governo
de que as reivindicações venham a ser atendidas ou, ao menos, voltem à mesa de
negociação. "Não temos nenhuma agenda. Nem com o governo, para
voltar a discutir o assunto, nem do nosso lado para rever nossa postura",
disse.
Entre os atos de
protesto, os auditores param totalmente de terça-feira à quinta-feira e não
usam computadores às segundas e sextas-feiras. Aqueles que atuam nos portos e
aeroportos realizam as operações-padrão - fiscalização mais lenta das
mercadorias importadas e exportadas. A categoria só tem liberado mais
rapidamente cargas essenciais, como medicamentos, insumos hospitalares, animais
vivos e alimentação de bordo para tripulantes de navios.
No aeroporto de Viracopos, a operação padrão afeta apenas uma parte da
movimentação de cargas, afirmou a concessionária que opera o terminal. Segundo
a companhia, o movimento dos fiscais influencia os processos com as cargas que
tramitam no chamado canal vermelho - na qual ocorrem as fiscalizações das
cargas pelos agentes da Receita. Esse segmento corresponde a aproximadamente 3%
do total movimentado na importação nesse terminal. Em média, esses 3% de cargas
que tramitam no canal vermelho têm levado 20 dias para ser liberadas por
causa da operação padrão, ante menos de 48 horas em situação normal, disse a
assessoria de imprensa de Viracopos. As demais cargas têm o trâmite dentro da
normalidade, apontou a concessionária.
Em outros grandes aeroportos sob gestão privada, como os de Brasília e do
Galeão, no Rio, a movimentação de cargas está normal, segundo as
concessionárias. Já a Infraero, operadora estatal que responde por aeroportos
como os de Manaus e Recife - que estão na malha do frete aéreo do comércio exterior
- apontou que até o momento não foram registrados impactos nos terminais de
logística de carga que tenham sido ocasionados pela operação dos fiscais da
Receita. "Assim, todos Tecas [Terminais de Cargas] da rede Infraero estão
funcionando normalmente", afirmou a empresa.
Já no setor portuário, o Porto de Santos, que responde por quase um terço do
escoamento da balança comercial, apresenta situação praticamente igual ao
quadro que havia após início da greve, em 1º de novembro: os efeitos são
marginais. Isso ocorre porque aproximadamente 90% das importações que chegam ao
cais santista caem no canal verde, modalidade que dispensa a conferência física
pelos fiscais aduaneiros. Já os processos que dependem dos servidores são os
que caem nos canais vermelho ou cinza. Nesses casos, os fiscais estão
trabalhando de forma concentrada em alguns dias da semana. O tempo de liberação
no canal vermelho está entre 10 e 12 dias, ante 2 a 3 em condições normais.
Como o comércio exterior não está muito forte, o movimento grevista ainda não
resultou em terminais lotados. "O que ocorre é que a carga fica mais tempo
armazenada, quem acaba pagando é o consumidor final", diz Nívio Perez,
presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de Santos e Região.
Fonte: Jornal Valor Econômico