Aproximadamente 7 mil Analistas-Tributários da Receita
Federal do Brasil irão parar suas atividades em todo o país nas próximas duas
semanas, de 17 a 19 e de 24 a 26 de abril. A decisão de ampliar o movimento foi
tomada em razão do inexplicável descumprimento do acordo salarial da categoria
assinado há mais de dois anos, que ocorreu com a não regulamentação do Bônus de
Eficiência e Produtividade, instrumento amparado no cumprimento de metas de
eficiência institucional do órgão.
De acordo com o presidente do
Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil – Sindireceita,
Geraldo Seixas, há praticamente um mês a Casa Civil analisa, novamente, os
termos do decreto que regulamenta o Bônus de Eficiência, processo que constitui
um verdadeiro desrespeito ao órgão responsável pela Administração Tributária e
Aduaneira do País, tendo em vista que as premissas do Bônus de Eficiência foram
amplamente analisadas pelos ministérios envolvidos em todo processo de
negociação, pela Receita Federal, pelas consultorias Jurídicas do governo e,
principalmente, de forma transparente e democrática, durante a tramitação no
Congresso Nacional, inicialmente, por meio de projeto de lei e depois por
medida provisória.
Seixas afirma ainda que a luta da
categoria vai muito além dos justos interesses da Carreira Tributária e
Aduaneira do Órgão. Ele frisa que a greve também será acirrada em defesa de uma
das principais estruturas do Estado brasileiro, pois não há caminho de
desenvolvimento e justiça para o Brasil e para os brasileiros com uma Receita
Federal fraca e inerte. “Não é apenas a nossa negociação salarial e o Bônus de
Eficiência que estão sob ameaça. A própria estrutura do órgão e por
consequência as atividades essenciais e exclusivas de Estado que desempenha
estão também sob sério risco. O enfraquecimento da Receita Federal seguramente
comprometerá sua atuação em operações fundamentais para o País”, garantiu.
Entre as ações que podem
inviabilizar o funcionamento da Receita Federal do Brasil estão a falta de definição
em relação às progressões/promoções dos Analistas-Tributários; a Portaria nº
310/2018, que determina a mudança no regime de plantão dos ATRFBs; e a
morosidade do pagamento de adicionais noturno/insalubridade/periculosidade. “A
Receita Federal está em meio a uma disputa política que se instaurou no
governo. Portanto, para nós, o único recurso que resta é encarar o embate
político. Não temos outro caminho a seguir. Temos consciência de que a greve é
um instrumento da luta política e que vamos usá-lo firmemente para assegurar
nossos direitos e para defender o fortalecimento da Receita Federal do Brasil.
Exaurimos todos os canais de diálogo, apresentamos todos argumentos técnicos e
debatemos em todas as esferas de poder – Executivo, Legislativo e Judiciário.
Foram cinco anos de insistentes e intermináveis questionamentos que foram
desconstruídos de forma técnica, altiva e irrefutável pela administração da
Receita Federal em sinergia com os sindicatos dos servidores”, destacou Seixas.
A
orientação do Sindireceita é que durante a greve a categoria realize
mobilizações e assembleias locais, quando vários serviços e atividades ficarão
prejudicados ou suspensos nas unidades do órgão em todo o país. Objetivamente,
não serão realizados diversos serviços, como atendimento aos contribuintes;
emissão de certidões negativas e de regularidade; restituição e compensação;
inscrições e alterações cadastrais; regularização de débitos e pendências;
orientação aos contribuintes; parcelamento de débitos; revisões de declarações;
análise de processos de cobrança; atendimentos a demandas e respostas a ofícios
de outros órgãos, entre outras atividades. Já nas unidades aduaneiras, os
Analistas-Tributários não atuarão na Zona Primária (portos, aeroportos e postos
de fronteira), nos serviços das alfândegas e inspetorias, como despachos de
exportação, verificação de mercadorias, trânsito aduaneiro, embarque de
suprimentos, operações especiais de vigilância e repressão, verificação física
de bagagens, entre outros. “Entretanto, a greve não prejudicará as
atuações em operações fundamentais para o País, como a própria Lava Jato”,
finalizou Geraldo Seixas.
Fonte: Site do SINDIRECEITA
Nota Servimex: Com a Greve dos Analistas Tributários, as remoções de cargas para os Portos Secos e EADI´s ficarão paradas (nos dias que ocorrerem a greve), bem como o andamento e a consulta de processos Administrativos.