Meio milhão de contêineres à deriva
09/09/2016
Após pedido de falência, coreana Hanjin tenta recuperar US$ 14 bilhões que estão em alto-mar; com medo de calote, portos não recebem cargas
Uma das maiores empresas de transporte marítimo do mundo, a sul-coreana Hanjin Shipping, pediu proteção da lei das falências norte-americana para blindar seus ativos nos Estados Unidos. O movimento foi depois de a companhia ter solicitado recuperação judicial também em Seul. Além dessas providências legais,
no entanto, a empresa marítima terá também de trabalhar rapidamente para proteger navios e cargas que ainda circulam pelos oceanos. Estima-se que US$ 14 bilhões em ativos sob tutela da Hanjin corram o risco de não chegar a seu destino.
O problema é que, uma vez que a companhia está em dificuldades financeiras, os operadores portuários de vários lugares do mundo estão se recusando a receber as cargas transportadas pela Hanjin, já que a empresa está sem recursos para pagar taxas portuárias.
Atualmente, já são 45 navios recusados, à deriva, em busca de um local para descarregar produtos. Essas embarcações carregariam cerca de meio milhão de contêineres, segundo reportagem do jornal americano The Wall Street Journal. Esses navios transportam desde bens de consumo destinados às vendas de fim de ano nos Estados Unidos e na Europa até produtos perecíveis.
A frota da Hanjin é hoje composta por 140 navios. A empresa é atualmente a nona colocada no ranking global de transporte marítimo, movimentando cerca de 100 milhões de toneladas de cargas por ano.
O desaquecimento da economia global, o aumento da competitividade e a queda dos preços nos serviços prejudicaram os lucros da indústria de transporte
marítimo em todo o mundo. A Hanjin entrou em colapso depois de acumular dívidas da ordem de US$ 5,4 bilhões.
No entanto, conforme informações da BBC, os credores, os bancos e o governo sul-coreano estariam relutantes em garantir capital pelo menos para a companhia manter sua operação no curto prazo.
Como se trata de uma empresa internacional com operações relevantes nos Estados Unidos, a Hanjin não se enquadra no Capítulo 11 da Lei de Falências, e sim no Capítulo 15. Uma audiência relativa ao tema está marcada para a próxima terça-feira, em Newark (EUA).
A regra garantirá à empresa a proteção de seus ativos em solo americano, caso as autoridades do país considerem o pedido válido. Ao ter problemas financeiros, empresas como a Hanjin precisam buscar proteção em vários países, pois seus ativos geralmente estão em trânsito e podem ser detidos por credores em vários lugares do mundo.
Prejuízos. De acordo com a BBC, entre as empresas prejudicadas pelos problemas da Hanjin está a também sul-coreana Samsung, fabricante de eletroeletrônicos e líder global no segmento de smartphones.
Fontes da empresa afirmam que a Samsung tem atualmente US$ 38 milhões em cargas não entregues pela Hanjin. A empresa está considerando o fretamento de 16 aviões para garantir que as mercadorias cheguem a seu destino – a maioria estava a caminho nos Estados Unidos.
Fonte: jornal "O Estado de São Paulo" - 09/09/2016