Brasil já adota quase todas as medidas previstas no acordo que visa reduzir impactos burocráticos sobre importações e exportações
Brasília (22 de fevereiro) – A Organização Mundial do Comércio (OMC) anunciou
nesta quarta-feira a entrada em vigor do Acordo sobre Facilitação de Comércio.
Concluído na Conferência Ministerial de Bali, em 2013, ele busca conferir maior
transparência na relação entre governos e operadores de comércio exterior, bem
como reduzir impactos burocráticos sobre importações e exportações. Segundo a
OMC, o acordo poderá aumentar as exportações mundiais em até US$ 1 trilhão por
ano. Os principais beneficiados serão países em desenvolvimento, que possuem
maior espaço para ganhos de eficiência.
O ministro Marcos Pereira esteve em Genebra no final de 2016 e tratou do tema
durante encontro com o diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo. “O início da
vigência do Acordo de Facilitação de Comércio da OMC é um impulso renovador
para o comércio mundial. Ele traz obrigações multilaterais que levarão a maior
eficiência e intensidade nas trocas de bens entre os países. O Brasil está
fazendo sua lição de casa. Temos trabalhado intensamente para tornar o comércio
exterior brasileiro mais ágil, simples e moderno. Entendemos que reduzir
burocracia e custos é essencial para a maior competitividade do nosso setor
produtivo”, disse o ministro.
A primeira seção do acordo contém dispositivos de boas práticas para a atuação
governamental sobre operações de comércio exterior, como a publicação de
normas, a adoção de medidas de controle menos restritivas ao comércio, a
coordenação entre órgãos de governo, o uso de gerenciamento de riscos e o emprego
de tecnologias e padrões internacionais. Há, ainda, inovações relevantes como
os pontos de solução de dúvidas sobre regras de importação e exportação, os
sistemas de operadores econômicos autorizados e o estabelecimento de guichês
únicos.
O Brasil apresentou à OMC sua ratificação ao acordo em 2016 e já adota a quase
totalidade das medidas nele previstas. Entre elas, destaca-se o Comex Responde,
que funciona como ponto acessível pela internet para a solução de dúvidas dos
operadores comerciais. Administrado pela Secretaria de Comércio Exterior do
MDIC, o Comex Responde tem a participação de todos os órgãos governamentais que
intervêm no comércio exterior. Desde 2015, o governo brasileiro também já
aceita cópias digitalizadas de documentos comerciais, medida implementada no
âmbito do Programa Portal Único de Comércio Exterior.
O Portal Único está no centro da estratégia brasileira para a facilitação de
comércio. A iniciativa estabelece um guichê único para centralizar a interação
entre o governo e os operadores comerciais. Busca, ainda, reformar todos os
processos de exportação e importação a partir de contribuições feitas pelo
setor privado. Estima-se que o Portal Único tenha relação com ao menos 30% das
obrigações criadas pelo Acordo.
A segunda seção, apresenta disposições especiais de tratamento diferenciado
para países em desenvolvimento, permitindo que eles indiquem quais medidas
necessitarão de prazo adicional, após a entrada em vigor do acordo, para sua
implementação. Os países em desenvolvimento também poderão solicitar auxílio
externo de capacitação para determinados dispositivos do acordo.
De um total de 47 compromissos criados pelo Acordo de Facilitação, o Brasil
notificou que adotará 42 deles imediatamente. Apenas 5 compromissos serão
implementados em um prazo posterior à data de entrada em vigor do acordo, pois
requerem o desenvolvimento de ferramentas específicas por parte do governo
brasileiro, como para o processamento antecipado de documentos de importação. A
implantação integral do Portal Único de Comércio Exterior auxiliará na total
adesão brasileira.
Outra previsão relevante do acordo é a criação de comitês nacionais
responsáveis pela coordenação interna de sua implementação em cada país. Mais
do que uma instância de gestão em relação ao Acordo, tais comitês poderão
servir como foros para a coordenação dos agentes de comércio exterior. No
Brasil, o recém-criado Comitê Nacional de Facilitação de Comércio, sob a égide
da Camex e com presidência conjunta de Secex e Receita Federal, exercerá esse
papel.
Assessoria de Comunicação Social do MDIC
Fonte: MDIC